Moradora denuncia funcionárias provando roupas durante expediente em Unidade de Saúde do Águas Claras
Moradora denuncia funcionárias provando roupas durante expediente em Unidade de Saúde do Águas Claras

Moradora denuncia funcionárias provando roupas durante expediente em Unidade de Saúde do Águas Claras

Moradora denuncia funcionárias provando roupas durante expediente em Unidade de Saúde do Águas Claras

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Uma moradora do bairro Águas Claras, em Brusque, procurou o Olhar do Vale para denunciar uma série de situações que, segundo ela, estariam ocorrendo na Unidade Básica de Saúde da comunidade. Entre os relatos, está a suposta presença de funcionárias provando roupas durante o horário de expediente, enquanto pacientes aguardavam atendimento na recepção.

A denúncia foi feita por Thaíse Fonseca Martins, que afirma ter presenciado a situação ao procurar atendimento na unidade. Segundo ela, as servidoras estariam dentro da sala de descontaminação provando roupas em horário de trabalho. O episódio, segundo registro da moradora, ocorreu às 14h51 do dia 31 de março de 2026.

Foto: Dibulgação/PMB

“Eu fui fazer um atendimento e presenciei as funcionárias na sala de descontaminação provando roupas em horário de trabalho. Uma das três pessoas que estavam na sala era da triagem, enquanto a gente estava esperando na recepção. A gente não passou pela triagem porque elas estavam ocupadas provando roupas”, relatou.

A moradora afirma que o episódio não seria um caso isolado. De acordo com Thaíse, a comunidade convive há anos com reclamações relacionadas ao atendimento na unidade. Ela relata episódios de demora, suposta falta de acolhimento, grosseria, recusa em fornecer identificação profissional e até situações em que pacientes teriam deixado de receber procedimentos básicos.

“O nosso descontento já vem há mais de 25 anos, tanto vivenciando quanto presenciando humilhação. Recentemente, eu fui em atendimento e eles se negaram a aferir meus sinais vitais. A minha questão era pressão alta. Solicitei o nome da técnica e a identificação do Coren, e ela não quis me passar. Solicitei ao enfermeiro responsável, e ele também se negou a passar as informações”, afirmou.

Ainda segundo a moradora, também haveria relatos de perda de encaminhamentos médicos, dificuldades para obter prescrições, interrupção de consultas e profissionais utilizando celular durante o expediente.

“Em horário de consulta, eles param para comprar lanche. Já aconteceu comigo, levando meu filho na consulta. O médico interrompeu a nossa consulta porque uma pessoa chegou para vender salgados. A recepção cheia, e pessoas no celular, vendo Facebook”, disse.

Thaíse também relata que já teria presenciado profissionais dormindo durante o expediente e pacientes aguardando atendimento. Segundo ela, a situação gera revolta entre moradores do bairro.

“O postinho só funciona quando tem o prefeito lá. No dia a dia, nunca funciona. A fila fica grande, e o nosso descontento já vem de muito tempo”, declarou.

Outro ponto levantado pela moradora envolve a suposta exposição de informações pessoais de pacientes dentro da unidade. Ela afirma que casos de saúde e situações sensíveis seriam comentados em locais onde outros usuários conseguem ouvir.

“Dentro da UBS a gente escuta relatos da vida de outras pessoas, de momentos de sensibilidade, de tratamentos que não precisam ser expostos para quem está lá. Eles explanam coisas que não podem ser explanadas”, afirmou.

Thaíse diz ainda que moradores teriam receio de reclamar por medo de retaliações no próprio atendimento. Segundo ela, quem denuncia ou questiona a conduta de profissionais pode passar a enfrentar dificuldades para receber medicamentos, atualizar receitas ou obter atendimento adequado.

“Se a gente reclama, briga ou denuncia, a gente sofre retaliação. Eles se negam a passar medicamento, se negam a fazer atualização de receita. No atendimento, agem com grosseria. A gente pede o nome para fazer denúncia, dão risada e falam: boa sorte”, relatou.

Para a moradora, a comunidade de Águas Claras precisa de uma resposta efetiva do poder público.

“Eles veem a gente como se estivesse pedindo favor. A gente paga nossos impostos e quer ser atendido. Atendimento digno é o mínimo. Não é só comigo, é com a população de Águas Claras”, disse.

Contraponto

O Olhar do Vale entrou em contato com a Secretário de Saúde, Dr. Ricardo Freitas, que se manifestou por meio de nota:

Em resposta aos pontos levantados a partir do relato concedido por uma moradora sobre a Unidade de Saúde do bairro Águas Claras, informo que os fatos descritos já foram encaminhados à Ouvidoria Municipal de Saúde e estão sendo devidamente apurados pelos canais competentes. É fundamental que situações como essa sejam formalizadas junto à Ouvidoria, para que possamos reunir elementos concretos e conduzir a apuração com a seriedade que o caso exige.

Reforço que as condutas relatadas, caso confirmadas, não representam o padrão de atendimento, conduta funcional e compromisso ético que a Secretaria Municipal de Saúde exige de seus servidores. A rede municipal pauta sua atuação pelo respeito ao usuário, pela qualidade no atendimento e pelo sigilo das informações dos pacientes, e não compactua com desvios de conduta que prejudiquem a população.

Assim que concluída a verificação dos fatos, todos os processos administrativos previstos em lei serão seguidos rigorosamente, assegurando-se o contraditório e a ampla defesa dos servidores eventualmente envolvidos, e adotando-se, se confirmadas as irregularidades, as medidas cabíveis. A Secretaria permanece comprometida com a melhoria contínua do atendimento prestado à comunidade de Águas Claras e de todo o município.”

Veja o vídeo:

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